
Na época da “pós-verdade”, uma guerra omnipresente e a iminência de total aniquilação, parece por vezes que a nossa existência neste mundo está cada vez mais prescrita ao esquecimento quanto mais se inscreve na alteridade. Os sujeitos corporais são continuamente formados e reformados por acontecimentos e experiências político-sociais. No entanto, continuamos a gravar as nossas histórias e singularidades na superfície fria, riscada e cortante daquilo a que convencionámos chamar realidade. Ao canalizar o nosso desejo e a nossa dor para a auto-expressão, bem como para o cuidado coletivo, somos capazes de fazer um movimento em direção ao exterior de nós próprios, construir comunidade e deixar que as nossas vozes ressoem contra o silêncio e o esquecimento a que este momento cultural acelerado e saturado nos leva. Cruéis Quimeras Doces Mordaças explora o movimento contínuo entre luz e sombra, vida e morte, destruição e recuperação, dor e desejo, e como essas polaridades se manifestam, por vezes paradoxalmente, nas nossas experiências transpessoais. Através da utilização de fotografias instantâneas e objetos do quotidiano, o aqui torna-se um outro lugar, no qual o banal e o precioso co-emergem revelando verdades pessoais e coletivas e convidando a imaginar outras possibilidades poéticas e transformativas.

